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E, agora, Chico?, por Claudir Pressi

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E, agora, Chico?

 

Por Claudir Pressi

 

Arrisco em dizer que o Papa Francisco conseguiu surpreender e falar com clareza sobre questões que há décadas não eram tratadas e atualizadas por Roma com tamanha objetividade e de maneira íntegra. De fato, a humildade e a simplicidade, acompanhadas de um sorriso contagiante, revelaram um Papa sensível e comunicador. Comunicador sim, pois soube dar sentido pelas palavras, reflexões sem rodeios e um carisma desafiador, quebrando mais que protocolos. Modelos que pareciam intocáveis. Porém o que o fez diferença foram os seus gestos e as suas atitudes. Por isso deixou marcas de sua presença no Brasil. A grande diferença foi mesmo sua prática alicerçada no discurso.

De Cardeais a fiéis, de Roma a outras Igrejas, de políticos às autoridades civis, de instituições a organizações ou grupos e até aos que se dizem ateus o Papa Francisco “bateu” na porta do coração com docilidade e muita habilidade. Francisco demonstrou uma sensibilidade e visão larga sobre os dramas e as necessidades humanas. Conhece as mazelas sociais e tem consciência dos problemas oriundos das práticas internas da Igreja Católica. Conduziu e ultrapassou barreiras, muito além das da segurança. Sua preocupação era estar perto de gente e não preservar-se a si próprio.

É um Papa atualizado que tem a capacidade do diálogo e do cuidado por cada ser humano como valores essenciais. Deixou evidente que a pessoa vem em primeiro lugar. Ou seja, as estruturas, as leis, ou os instrumentos e meios são apenas para atender o que vem por primeiro: a vida!

Tanto a JMJ, como as demais atividades realizadas por ocasião da visita do Pontífice, causaram as mais variadas manifestações e provocaram diversas repercussões mundo afora. Penso que Francisco está propondo uma revolução. Mas não qualquer revolução: a de tornar tudo a favor de uma nova civilização humana. O amor, a esperança, a chama da fé e sobretudo, os ensinamentos do Mestre são seus pilares!

Francisco propôs um novo jeito de ser Igreja. Em pouco tempo já conseguiu mostrar a que veio. Certamente, as multidões e os jovens do mundo inteiro, que estivem na JMJ, carregam consigo entusiasmo e darão sua contribuição para aproximar as mensagens deixadas e vividas a partir desta visita. Mas é preciso ir além! Como nós os batizados, as comunidades, as lideranças, os movimentos, os que foram instituídos num serviço ministerial, enfim, as paróquias, as instituições, as autoridades, o poder público, as religiões responder a tudo que o Pontífice indicou? Daremos passos significativos ou diremos: e agora “Chico”?

 

Texto publicado no Jornal ABCNotícias na edição de 02 de agosto de 2013.