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O gato comeu, por Eloy Milton Scheibe

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Já é 22 de novembro e está uma choradeira que só vendo. Também pudera, pois o dinheiro em circulação está escasso. Vejo que os comerciantes conversam entre si e se queixam, esperando os clientes nas portas e nada. Os preparativos para o Natal estão desmotivados, pois o lojista não sabe se reforça o estoque ou não. Afinal, se comprar poderá se ‘embuchar’ e perder mais dinheiro ainda. Mas, como diz o ditado gaúcho, “não tá morto quem peleia”, nunca é motivo de “jogar os cobres”. Ou seja, quem desanimar começa a ficar de fora do jogo. Claro que não vivemos um momento bom, mas daqui uns dias será Natal e o ânimo das pessoas muda e todos terão algum trocado para gastar com presentes, vestuário, alimentação, móveis, ou outro artigo qualquer. Em Chapada sofremos de carência de recursos por parte de muitos dos habitantes.

É certo que temos concentração de renda em Chapada; temos inclusive várias grandes propriedades no município e que seus proprietários não moram aqui, por consequência, a maior parte, senão todos os seus investimentos são feitos fora daqui; o empreendedorismo é pouco difundido no município e nosso povo empreende pouco e precisamos investidores de outros lugares para vir aqui gerar empregos; muitos produtores de leite já abandonaram a atividade por não quererem trabalhar nos finais de semana; inúmeras pessoas recebem Bolsa Família e se contentam com o talento enterrado como o da passagem bíblica; quase não se consegue pessoas para trabalhar, seja em qual atividade for e ainda nossa mão de obra carece de qualificação. Assim, ainda, o “bum” de desenvolvimento que a construção civil vive em Chapada é feito com recursos da Caixa Econômica Federal e depois da obra pronta, com o início do pagamento das prestações começa a enxugar o orçamento destas famílias e o dinheiro começa a voltar ao órgão financiador e até então, ficam beneficiados o mutuário e as empresas que comercializam material de construção; os sacoleiros também têm seu espaço, além do comércio clandestino e por derradeiro, começam a pesar as compras feitas pela internet, que não são poucas e que acabam prejudicando decisivamente o comércio estabelecido e não agregam nenhum valor de impostos ao município, apenas o benefício do melhor preço momentâneo ao comprador.

Talvez haja quem não concorde comigo, e respeito opiniões diferentes, mas quando há um somatório de fatores começa a pesar, pois ora um entra em apuros, depois outro, e depois mais outro e quando se vê há uma boa porção da população em apuros financeiros o que fatalmente acaba refletindo sobre alguns setores da economia, especialmente sobre o comércio. O que fazer para reverter?

Como milagres não acontecem o melhor a fazer é trabalhar, produzir, empreender, guardar algum trocado para as emergências e sempre gastar bem menos do que se ganha.

 

TEXTO PUBLICADO NA EDIÇÃO DO JORNAL ABCNOTÍCIAS DE 22 DE NOVEMBRO DE 2013