logo fm91 logo 1500am whats-radio9

Cassiane Dill, Notícias &...

textossite copia

 

Em um piscar de olhos, novamente chegamos ao final de ano. Nessa época percebemos como nossa vida passa rápido. A cada ano que se encerra, nos surpreendemos com a velocidade do tempo, que não é mais um longo período em que podíamos fazer tudo, e ainda sobrava espaço para descansar.

Nos habituamos em passar o dia a dia na correria, sem olhar para os lados e perceber como os ponteiros do relógio estão cada vez mais pequenos e velozes. Vamos dormir pensando no que faremos no dia seguinte, e acordamos pensando se conseguiremos realizar o que foi planejado. Pois é, estamos esquecendo de viver.

Mesmo tendo passado o Natal, nunca me canso de lembrar dos natais da minha infância. Lembro com muito carinho do tempo em que o 25 de dezembro era muito mais do que um dia de troca de presentes. Para os netos da família Backes, era um momento de reunir a galera, e fazer a festa na casa da vó.

Meus avós maternos moravam no interior de São Miguel, e lá tinham sua propriedade, onde todos trabalhavam e tudo era simples. Mas para os netos, era a maior felicidade quando chegavam datas importantes como o Natal e a Páscoa, porque sabíamos que passaríamos o dia brincando e “limpando” o paiol.

Tenho muito vivo na memória o pinheirinho ou melhor o pinheirão, pois não era apenas um ramo de pinheiro, era a árvore inteira, enfeitada com bolas de vidro, que aos poucos iam diminuindo pois as crianças tinham que ver com as mãos. O presépio ocupava ¼ da sala, com laguinhos, morros onde os Reis Magos desciam para visitar Jesus, que a propósito, sempre estava bem iluminado com uma lâmpada pintada, pois ainda não existiam as lâmpadas coloridas.

No presépio dos meus avós, tinha espaço para muito carinho, amor e sorrisos.

A vó sempre falava “não pode mexer na casinha do Menino Jesus que ele fica triste”, até que os netos tentavam obedecer, mas não resistiam. Em um desses natais, uma cena ficou marcada. Éramos muito ativos, para não falar arteiros, e meu tio resolveu dar uma lição nos seus sobrinhos. Na frente da casa dos meus avós havia um milharal alto, que fechava os dois lados da entrada, e numa de nossas peripécias, o Papai Noel foi “chamado” para cobrar obediência. Ninguém se importou muito, mas como éramos curiosos, fomos até o milho ver se realmente o Bom Velinho estaria lá. E estava, meu tio já havia entrado no milho e começou a fazer barulho quando nos aproximamos. Foi uma correria total, eu até tropecei num toco que havia perto da estrada, e me cortei feio, mas aquilo não importava, porque o medo do Papai Noel era bem maior.

São essas e outras histórias que fazem parte da minha vida. As gerações futuras irão dar risada quando contarmos que já brincamos em galpões e estrebarias de madeira, em meio a sacos de milho e fornos de barro. O tempo não volta, mas que bom que essas histórias ficam marcadas na memória, mostrando que o tempo não apaga tudo.

Para encerrar 2013, desejo a você amigo leitor e seus familiares, que a luz do Criador os ilumine, que todos os seus sonhos se concretizem, e que o tempo não apague o que de bom já aconteceu em sua vida. Feliz e abençoado Ano Novo! Espero nos encontrar muitas e muitas vezes em 2014.

 

TEXTO PUBLICADO NO JORNAL ABCNOTÍCIAS DE 27 DE DEZEMBRO DE 2013