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Filhos imigrantes, por Eloy Milton Scheibe

 

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Há um ditado popular que diz que “os filhos são criados para o mundo”. É o ditado mais “da boca pra fora que conheço”, só para utilizar mais um ditado popular, ou seja, dito meio que sem sentimentos, ou por quem tem os filhos por perto o tempo todo. Falo isso por ter sentido uma alegria e um sentimento de amor muito profundo quando nossas filhas vieram para o Natal.

Sim, falo do Natal porque a Gabriela já voltou ao Amapá antes mesmo do Ano Novo, enquanto a Roberta e seu noivo Jonathan retornaram ontem dia 2 de janeiro.

Não consigo esconder que dá um sentimento de vazio na casa, sem ouvir as conversas e gargalhadas que soam como música quando se fica algum tempo sem ver as filhas, sem falar do aperto no peito. Para mim, que sou sentimental, sempre são dias difíceis.

Vê-las partir sempre dói muito, mas passa. Sempre digo para minha esposa Isolde, que com o tempo o coração endurece. Sim, porque a gente procura ocupações para esquecer o tormento. Como se diz, dói mas passa. Já não tinham vindo por dois anos.

Sabe, são muitas ocupações, compromissos e afazeres naturais do período de vida em que estão. Conforta-me saber que estão bem, que vivem felizes e estão construindo sua vida. Verdade, longe daqui, por azar, mas o que posso fazer. Nunca vou esquecer o dia em que a Roberta me disse: pai, tenho uma proposta boa para trabalhar em Macapá, estão insistindo comigo, mas se me disser para não ir ficarei, pois para mim em primeiro lugar está a família. Embora tenha sido difícil, isso em agosto de 2008, dissemos vá ver, e se te agradar, mesmo que soframos, mas se for para o teu bem não vamos nos opor. E a Gabriela encorajada disse, se você for eu vou junto. E lá se foram as nossas duas filhas, no dia 17 de agosto de 2008, com apenas uma mala cada, para Macapá, capital do Amapá.

Hoje, embora ainda doa no peito vê-las partir, já nos conformamos muito mais e certamente seríamos pessoas melhores, tanto eu e a Isolde quanto a Roberta e a Gabriela se convivêssemos mais e pudéssemos trocar nossas experiências de vida. A comunicação nos dias atuais é fantástica e podemos saber delas a todo o instante, assim como informar ou relatar algo que aconteça conosco. Difícil mesmo é para os pais que perdem seus filhos, para estes a dor é irreparável e certamente perdura pelo resto da vida. E assim conforta muito mais saber que embora estejam longe estão bem e quando menos se espera já passou mais um tempo e a gente pode se ver novamente.

 

TEXTO PUBLICADO NO JORNAL ABCNOTÍCIAS DE 03 DE JANEIRO DE 2014