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Das crianças para adoção no RS, 28% têm algum problema de saúde

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Mais de 700 crianças aguardam por pais adotivos em abrigos no Rio Grande do Sul, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça. Em contrapartida, 4.656 pessoas estão na fila para adoção. Uma nova regra aprovada pela Presidência da República pretende reduzir o tempo de espera. Com a norma, juízes devem priorizar os processos que envolvem crianças com problemas de saúde ou algum tipo de deficiência.

Das 701 crianças gaúchas cadastradas para adoção, 93 delas têm algum tipo de deficiência e 106 alguma doença, o que corresponde a 28,3% do total. Pela nova regra, é preciso dar preferência a esses processos.

A norma veio para regularizar o que já está sendo feito. Mas segundo especialistas, o tempo de espera hoje não depende do Poder Judiciário. “O tempo de espera está na dependência do perfil apresentado por quem deseja adotar”, explica o supervisor da área de adoção da Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal, Walter Gomes.

Na prática, os juízes já priorizam estes casos. Quem pretende adotar uma criança acima de cinco anos, com algum tipo de deficiência ou doença crônica, pode começar o estágio de convivência em, no máximo dois meses.

Porém, de acordo com os números, são muitas as crianças com este perfil para a quantidade de pais interessados. “95% das famílias que se inscrevem para adoção em todas as comarcas do Brasil querem um perfil muito específico: uma criança recém-nascida, de cor branca, saudável e sem irmãos. O que você vai encontrar no Cadastro Nacional de Adoção são crianças com um perfil absolutamente contrário. São crianças maiores, grande parte delas com irmãos, de cor negra e com problemas de saúde”, acrescenta Gomes.

Para especialistas, é preciso sensibilizar homens e mulheres interessados e mudar a lógica da adoção. “Eu acho que a grande mudança é: ao invés da gente ouvir essas famílias que estão se cadastrando, ou pessoas que se cadastram, é o que a criança espera. O que o adolescente tem como família? Qual é o ideal de família? Sensibilização neste sentido: de garantir que a criança possa buscar a sua família”, comenta a gestora de serviço de acolhimento, Patricia Mello.

"O que deve nortear qualquer processo de adoção no Brasil ou em qualquer outro país é o princípio do amor incondicional. Eu vou amar independentemente da cor, independentemente da idade e independentemente do estado de saúde", complementa Gomes.

FONTE: G1