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Ateu cultural, por Jefferson de Ramos

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Os bombardeios de repúdio desta semana são contra Caio Castro, o galã de novelas da rede globo que confessa não gostar de teatro e lê somente por obrigação e não em busca de conhecimento. Criticado por colegas de profissão e execrado por educadores; Caio Castro na verdade é a representação de boa parcela da sociedade que não crê nas infinitas possibilidades de crescimento através da leitura ou cultura. Mas isto não é novidade. Afinal, entre tecnologias cada vez mais completas e complexas, está cada vez mais visível a ausência do conteúdo humano. Cada dia transferimos mais a responsabilidade de pensar, de agir e de guardar conteúdo para os HD’s e acabamos deixando livre ou inativa boa parte de nossa própria memória. O que muitos não entendem é que as tecnologias e mídias devem ser utilizadas como ferramenta de aprimoramento e nunca como substitutos na formação.

Hoje, o que parece cansar ou ser chato, antes, era sinônimo de cultura, inteligência e crescimento. Uma triste realidade a ser mudada, e este é um grande desafio. O gosto pela boa leitura é como uma herança. E cabe a todos nós enriquecê-la e passá-la adiante. Temos que entender sua importância, e mais que isso incitá-la e praticá-la em nosso dia a dia. A leitura foi e sempre será o pilar de sustentação na educação e no crescimento cultural e social.

Um ponto também muito importante a ser analisado através deste episódio é a diferença entre cultura e distração. As novelas interpretadas por Caio Castro são ficções para nossa distração. Pouco trazem conteúdo. Logo, pouco agregam em nossa formação. Na verdade muitas vezes atrapalham o desenvolvimento daqueles que as assistem. Cultura é tudo aquilo que nos prende a um livro, que nos leva a dedicar nosso tempo a um evento cultural ou uma boa conversa. Através dela conseguimos entender muitos porquês; tornamo-nos pessoas capazes de interpretar, de discutir e analisar diferentes assuntos e até momentos de nossa vida.

Como disse John Locke, famoso filósofo francês: “Ler fornece ao espírito materiais para o conhecimento, mas só o pensamento faz nosso o que lemos”. E isso vale também para os famosos e vazios galãs da televisão.

 

TEXTO PUBLICADO NO JORNAL ABCNOTÍCIAS DE 28 DE FEVEREIRO DE 2014