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Ostentação ou liberdade? Por Jefferson de Ramos

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A expressão do momento é a Ostentação. Um fenômeno musical e social que surge nas periferias do Brasil. Vangloriando conquistas financeiras e amorosas, interpretado por uma juventude em seus carrões, com pesados cordões, anéis e pulseiras valiosas e um sarcasmo que faz questão de mostrar onde chegou e o que conquistou. Mas deixando de lado o material musical apresentado que é alvo de críticas por sua baixa qualidade e conteúdo, podemos nos dar conta do surgimento de um movimento social.

Quem está por trás desse movimento é uma boa parcela da sociedade, que até bem pouco tempo atrás, não tinha acesso ao mundo consumista de fora de suas vielas, e que graças à economia aquecida começa a experimentar o gosto da nova classe média. Ostentar é algo normal em um país que inicia uma grande transição econômico/ social.

E isso não é nenhuma novidade. Na história podemos recordar a França e sua luxuosa Belle Époque, a Itália pós-guerra e os seus Papparazi´s e até o “Tio San” que resolveu ostentar assim que passou para a classe média.

Aliás, os EUA viveram uma forte época de ostentação e até se renderam a uma jovem e sedutora cantora chamada Marilyn Monroe. O país aplaudiu e eternizou o “Happy Birthday, Mr. President”, sensualmente cantado por ela ao sair de um gigante bolo de aniversário dedicado ao então presidente John F. Kennedy. Quer algo mais “Ostentação” que isso?

Estes episódios mostram que a ostentação na verdade é um grito de liberdade social. A demonstração da riqueza é uma atitude óbvia e esperada de qualquer povo que passou muito tempo na miséria.

O que nos resta é entender e “polir” o que está sendo entregue, principalmente aos jovens. O preocupante pode ser a distorção do significado do consumismo. Vale lembrar que dar valor ao que se tem é tão importante como saber de onde veio, para onde pode ir e até quem sabe voltar.

Aqui no Brasil o que está sendo entoado é o canto de um povo que quer mostrar ao mundo que saiu da margem da pobreza social, cultural e econômica. É um movimento legítimo e compreensível que pode até assustar os mais refinados, mas tem uma história que deve ser analisada com os olhos e ouvidos da igualdade e nunca com os da indiferença.

 

TEXTO PUBLICADO NO JORNAL ABCNOTÍCIAS DE 14 DE MARÇO DE 2014