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Ai, que preguiça, por Gláucia Knob

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Macunaíma, livro publicado em 1928 e escrito pelo brasileiro Mário de Andrade, obra que existe também em filme, conta a história de “um herói sem nenhum caráter”. O personagem principal nasce na selva amazônica e dentre diabruras chega a São Paulo na busca incansável pelo seu amuleto, o Muiraquitã, que representa a própria busca pela verdadeira identidade nacional. “Macunaíma passou mais de seis anos sem falar. Quando o incitavam, exclamava: — Ai! que preguiça!...” (Mário de Andrade, em Macunaíma, herói sem nenhum caráter).

O livro aborda a formação da cultura brasileira, com destaque às crenças, aos costumes e ao folclore, e o autor centra-se na ideia de que essa formação perpassa por várias outras manifestações advindas do Brasil Colônia. Quando se estuda a História do Brasil percebemos o quanto alguns líderes estiveram envolvidos na construção da democracia do país, inúmeros fatos históricos marcados pelo sonho de um mundo melhor. Um país sem memória é também um país sem história.

É constatado que muitos símbolos estão perdendo seu valor e sendo substituídos por outros. O Brasil também possui uma imagem interior e outra exterior. Para fora querem mostrar um país alegre, festivo e repleto de riquezas do povo e da natureza; para os brasileiros, uma enxurrada de problemas sociais, bem como, o descaso e a falta de políticas públicas que tragam verdadeiros, importantes e positivos resultados para a sua população, uma certa lentidão no crescimento econômico e social da nação.

O ano de 2014, além de ser marcado pela realização da Copa do Mundo no Brasil, também é ano de eleições federais e estaduais no país.

No dia 5 de outubro, milhões de brasileiros irão às urnas para votar em seus candidatos de preferência, seja por ideais, partidos, convicções ou decepções.

Sim! Isso mesmo: decepções! São poucas as pessoas (ou só os políticos mesmo) que devem acreditar que as eleições deste ano trarão bons resultados e, principalmente, que permitirão que os políticos mais honestos assumam os cargos públicos. Óbvio, que assim como em todos os casos há exceções, contudo, sabendo que pode se decepcionar com a situação política atual.

Em breve, iniciam as propagandas eleitorais gratuitas: um espetáculo de promessas vãs. Dificilmente algum político irá, nesses discursos, falar sobre o meu sonho, o teu sonho. Muitos políticos não falam nem sobre o seu sonho, pois preferem falar o que as pesquisas orientam que se fale.

Em outubro, os cidadãos brasileiros que se enquadram na faixa etária obrigatória de votação irão votar, porém... ai, que preguiça! De fazer a minha parte e não ter resultados a altura da atitude. Vontade mesmo de, igual Macunaíma, ficar sem falar. Mas, deixemos esse papel de “herói sem caráter” para outros personagens que ainda irão surgir neste 2014.

Porque, nós, enquanto cidadãos brasileiros, temos um compromisso com esse ato de democracia, com o votar. E, aí? Quem me representa?

 

PUBLICADO NO JORNAL ABCNOTÍCIAS DE 14 DE MARÇO DE 2014