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À espera de uma família, por Jefferson Ramos

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Você sabia que hoje existem 5.440 histórias em busca de um final feliz? São crianças e jovens que esperam burocraticamente pelo direito de ter uma família. Diferentes histórias que acabam sendo números de mais uma estatística brasileira. Nesta semana uma luz brilhou no fim do túnel de cada um desses personagens.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) anunciou no último dia 24 de março a autorização para estrangeiros participarem do Cadastro Nacional de Adoção, que hoje conta com 5.440 crianças e adolescentes que estão “disponíveis” para adoção. A estratégia visa acabar com a histórica obscuridade que ronda a adoção por estrangeiros e dar mais chances para crianças mais velhas, grupos de irmãos ou outras crianças que não se enquadram no “perfil” procurado por pais adotivos brasileiros. Segundo especialistas, as famílias de outros países são mais abertas e se importam menos com idade ou padrões que hoje são pouco entendidos e aceitos por nós brasileiros.

A ação é nobre. Mas mostra uma distorção do significado do sentimento puro de amor na relação pai e filho. Afinal, ser pai é não desejar um perfil e sim moldar dia após dia um Ser que depende de você para ter padrões éticos e morais que os defina como pessoa íntegra e de valor.

Um trabalho árduo e cheio de surpresa que já fora negado pelos genitores dessas crianças, que hoje esperam por alguém mais corajoso e que queira dar amor e ajudar em sua vida e formação.

Uma realidade brasileira e que infelizmente não é novidade para nenhum de nós. É revoltante saber que cada vez mais cabe à justiça dar seguimento e organização naquilo que é nosso por direito e dever, que é a família.

 

TEXTO PUBLICADO NO JORNAL ABCNOTÍCIAS DE 28 DE MARÇO DE 2014