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Aí já é demais!!!, por Cassiane Dill

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A vida do ser humano passa por diversas etapas do nascimento à morte. A etapa escolar é uma fase de muitas descobertas, amizades, novos conhecimentos e construção da personalidade, por isso, a importância de uma educação de qualidade. Depois do Ensino Fundamental, chega a hora de enfrentar o Ensino Médio, etapa na qual as dúvidas ficam cada vez mais cruéis. “O que farei depois da colação de grau”? Muitos ainda não sabem quais os rumos a seguir, e buscam em exemplos um apoio para a sua escolha. A educação brasileira passa por desafios grandes, e infelizmente, estáveis.

Todos falam da importância de melhorar as escolas, o salário do professor, o estímulo ao estudo, mas até agora pouco tem-se feito para sanar essas necessidades.

O dinheiro, que poderia melhorar essa situação, está sendo investido em estádios de futebol, com tecnologia de última geração, e que serão usufruídos pela minoria brasileira, por apenas um mês. Mas a educação é para a vida inteira, é um investimento que gera retorno a curto, médio e longo prazo. Um país sem boa educação não prospera, é aquele que se preocupa em construir presídios e não em escolas.

Em relação à isso, um fato teve grande repercussão nas redes sociais. Uma prova de Filosofia, de uma escola pública em Taguatinga, no Distrito Federal criou uma grande polêmica depois de mencionar Valesca Popozuda, como “grande pensadora contemporânea”.

O professor da disciplina utilizou um trecho do hit ‘Beijinho no Ombro’, onde os alunos deveriam preencher a letra da música, escolhendo entre 4 alternativas.

A desigualdade cultural é muito grande no Brasil, enquanto uns estão nas melhores faculdades, com todos os recursos para um estudo de qualidade, outros estão tendo de estudar ao ar livre, ou em contêiners, e pior ainda, nem estão estudando, por motivos pessoais ou estruturais. Os princípios morais mudam a todo momento, mas transmitir que uma funkeira é uma grande pensadora? Aí já é demais!!

O professor se explicou e disse que elaborou essa questão justamente para causar polêmica, e que a música estava no contexto escolar. Até aí tudo bem, mas não mensurar uma figura passageira, que “causa” por onde passa, que já demonstrou várias vezes quais são os seus princípios morais. É esse exemplo que queremos dar aos nossos filhos? Acho que seria muito mais interessante mostrar o que ela e muitas pessoas vistas como ídolos já fizeram pela sociedade, do que induzir os alunos a acreditarem realmente que ela é uma grande pensadora.

A funkeira disse nas redes sociais que estava honrada em receber tal título, e que as pessoas deveriam falar sobre os salários dos professores, a citar a sua música em uma prova. É, realmente nesse ponto eu concordo com ela, tem coisas bem mais importantes a serem analisadas e repensadas no Brasil, do que aplicar provas como essa. Mas se os próprios professores exaltam uma funkeira? O que mais precisamos falar sobre a educação brasileira?

Em ano de Copa, tais fatos serão esquecidos facilmente, pois o brilho dos estádios, a empolgação do “grito de gol” será como um rodo, que limpará tudo o que há de ruim no Brasil. O medo está aí, até quando o pensamento do Brasil estará voltado para o futebol, e deixando de lado o mais importante para uma nação, o seu povo, e a sua educação? Perguntas que sempre serão deixadas de lado, sem respostas. Enquanto o ‘Beijinho no Ombro’ toma conta da cabeça dos estudantes, os ladrões e políticos tomam conta do nosso dinheiro e do nosso futuro. Até quando?

 

TEXTO PUBLICADO NO JORNAL ABCNOTÍCIAS DE 11 DE ABRIL DE 2014