logo fm91 logo 1500am whats-radio9

Como saber se é gripe ou resfriado?

griperesfriado

 

Nos dias mais frios, a aglomeração de pessoas e a circulação em ambientes fechados favorece a transmissão da doença. Mas nem todo espirro é sinal de gripe. O virologista Fernando Motta, pesquisador do Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), esclarece dúvidas sobre o tema e chama atenção para as recomendações para a prevenção das doenças mais comuns do inverno. O Laboratório atua como Centro de Referência Nacional em Influenza junto ao Ministério da Saúde (MS) e à Organização Mundial da Saúde (OMS).

Existe diferença entre gripe e resfriado?

A gripe é causada apenas pelo vírus da Influenza. Ele pode ser tipo A, B ou C, sendo os vírus do tipo A os que, historicamente, provocam os quadros mais problemáticos. Este tipo possui a maior variabilidade genética, incluindo, por exemplo, os subtipos H1N1, H3N2 e o H5N1. Já os resfriados são provocados por outros tipos de vírus, como os rhinovírus; os para Influenza tipos 1, 2 e 3 e o vírus sincicial respiratório (VSR), que é o maior responsável por infecções respiratórias em crianças menores de dois anos.

Como sabemos se estamos gripados ou resfriados?

No caso da Influenza A e B, os sintomas são mais severos devido, por exemplo, a uma resposta imune mais exacerbada do organismo. Isso significa que o paciente tem mais febre, prostração e dores no corpo, sintomas que se estendem entre três e sete dias, além de mais possibilidades de desenvolver um quadro pulmonar. Pacientes com doenças de base, como diabetes, asma, hipertensão e problemas cardíacos têm 100 vezes mais chances de desenvolverem complicações, como infecção bacteriana secundária associada à gripe. Por isso, é importante procurar um médico, ele recomendará a melhor forma de tratamento.

Isso quer dizer que o Influenza é mais agressivo que os vírus do resfriado?

O quadro clínico desenvolvido por um paciente sempre será resultado de uma conjunção de fatores ambientais, virais e do próprio hospedeiro. No entanto, há, de fato, mais chances de complicações em casos de gripe do que em casos de resfriados. A boa notícia é que o Influenza pode ser tratado com antivirais como o oseltamivir e prevenido com a vacina trivalente, ambos oferecidos gratuitamente pela rede pública para as faixas etárias recomendadas pelo Ministério da Saúde. Estas ferramentas permitem o controle da doença, o que já não é possível com os resfriados. Neste caso, apenas os sintomas serão tratados.

Uma pessoa que já teve H1N1 ou que já tomou a vacina em outros anos pode contrair o vírus novamente?

Sim. Estudos indicam que os anticorpos produzidos para combater o vírus após a infecção permanecem cerca de oito meses no corpo humano. No entanto, é importante ressaltar que uma das principais características deste vírus é sua capacidade de modificação genética. Desde 2009, ano em que o H1N1 de origem suína atingiu a população humana, sete variações distintas deste vírus foram identificadas. Estas variações vão se substituindo sucessivamente no ciclo de transmissão, substituindo as variantes genéticas mais antigas. Por isso, anualmente, a OMS recomenda uma determinada formulação da vacina para cada hemisfério, com base nos vírus que estão circulando na população naquele momento. A especificidade para cada hemisfério está relacionada justamente aos períodos de inverno no Sul e no Norte do planeta, quando a circulação dos vírus Influenza se torna mais intensa. Uma rede mundial de identificação das amostras, da qual o Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo faz parte, fornece informações que norteiam a concepção da vacina trivalente, que protege contra o A (H1N1) pdm09  (o vírus pandêmico), o A (H3N2) e o tipo B da Influenza.

Além de se vacinar, o que a população pode fazer para se prevenir do Influenza?

A principal forma de transmissão dos vírus respiratórios ocorre por meio de perdigotos, ou seja, a saliva expelida durante a fala, tosse e espirro. Ela contém partículas de vírus que podem ser aspiradas por outra pessoa durante o contato ou contaminar lenços, talheres e objetos de uso pessoal. Higienizar as mãos regularmente é fundamental. Há estudos que dizem, ainda, que a distância segura de uma pessoa com gripe, a fim de evitar contágio, é de 1m a 1,5m.

FONTE: PORTAL BRASIL