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Moda antiga, por Eloy Milton Scheibe

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Sabemos que tudo muda rapidamente. Poucos são os seguimentos que resistem e se mantem no mercado atualmente. Ninguém mais pode se desligar do seu negócio se quiser ter algum sucesso. Veja, Eráclito já dizia há 500 anos A.C. que só o novo sobreviveria. Mas poucos talvez imaginaram que a evolução pudesse tomar as proporções atuais.

Assim, lembro do meu pai que, nos tempos do comércio do interior, trabalhou em São Roque, interior de Chapada, de 1954 até falecer em janeiro de 1980, que ainda nos anos 60, quando voltava das suas viagens em que vendia produtos agrícolas adquirido dos agricultores, lembrando que naqueles anos a soja era incipiente, basicamente se comercializava suínos, feijão, mamona, erva crioula, galinhas, ovos, manteiga, e, talvez mais uma meia dúzia de produtos. Quando voltava, trazia o resultado da venda em dinheiro vivo, ou, “em espécie”, como se diz hoje. Recordo que às vezes, pois naqueles anos já havia um pouco de inflação, o dinheiro nem cabia em sua pasta, vinha com um embrulho de papel jornal enrolado, que servia para pagar seus clientes. Depois veio o cheque, que já facilitou muito a vida de todos e que agora está suplantado pelo cartão.

Agora com o cartão se pode fazer um sem número de transações, é aceito inclusive internacionalmente. Imagine alguém chegar hoje em dia com um talão de cheques na Europa por exemplo, e querer pagar o restaurante, hotel ou alguma compra com um cheque. Jamais seria aceito. Mas com o cartão de crédito qualquer cidadão pode pagar o que consumir ou adquirir sem nenhum problema, evidentemente, dentro do limite atribuído pelo cadastro bancário de cada cliente. É uma facilidade enorme. Mas como nem tudo que brilha é ouro, percebo uma desvantagem no dinheiro de plástico.

Quem não tiver cuidado pode se perder nos gastos facilmente, já que é só puxar o cartão do bolso, passá-lo na maquininha, digitar a senha e pronto. Certa vez assisti uma palestra do Lair Ribeiro que defendia que o melhor era ter o dinheiro em espécie no bolso, que daí se pode pegá-lo na mão, senti-lo e, de quebra saber que é seu e, que, se gastá-lo, acabou. Este tempo de ter o dinheiro no bolso acabou, pela questão “insegurança” e pela “praticidade” do cartão, e assim é bom que nos acostumemos, pois o cartão é prático e seguro e, ao menos na minha opinião, terá vida longa. Assim, para este caso ao menos, o tempo antigo já passou.

 

TEXTO PUBLICADO NO JORNAL ABCNOTÍCIAS DE 17 DE ABRIL DE 2014