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Notícias &..., por Caren Luisa Klein

 

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Vamos aproveitar e viver o hoje

Cada vez mais chego a conclusão que devemos aproveitar cada momento de nossa vida. Viver o hoje, o aqui e o agora, nossa vida não pode ser um rascunho, pois nem sempre teremos tempo de passá-la a limpo. Perdemos muito tempo quando não aproveitamos as coisas boas da vida, a convivência com as pessoas que amamos e que realmente são importantes. Às vezes não é por falta de tempo, é por falta de tirarmos um tempo.

Na quinta-feira passada, feriado de Dia do Trabalho, após meu horário de trabalho na Rádio Simpatia, fomos na casa dos meus avós em São Roque – Chapada, aproveitar o resto do dia. Adoro passar o dia no interior, comer bergamota do pé (mesmo que estejam meio verdes ainda), encher a roupa de picão, jantar aquela deliciosa comida de fogão a lenha da vó, como diria a propaganda: ‘não tem preço’, e não tem mesmo.

A alegria dos meus avós é ter a casa cheia, os filhos e netos reunidos, mas nem sempre é possível nos encontrarmos, então temos que aproveitar quando dá, tirar um tempinho e ir lá, aproveitar cada minuto e viver intensamente.

A vida é um presente que nos é dado, e como dizia Charles Chaplin: “A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos”.

Não temos tempo de aprender tudo e acho que nunca aprenderemos

Quando pequenos aprendemos que todos nascem, crescem e morrem, mas não aprendemos a lidar com essa última parte do desenvolvimento humano: a morte. Podemos estar preparados para ela, mas a perda de alguém especial nos faz ver que nunca estaremos preparados.

Sou católica, mas acredito e respeito o espiritismo, assim como as demais religiões. Gosto muito de ler e acredito que o que morre é o corpo físico e o espírito segue um novo caminho.

A dor da perda é grande, ainda mais quando temos um contato próximo com a pessoa que parte, mas muitas vezes o acontecido é o melhor para a pessoa que está sofrendo. A despedida é sofrida, as lembranças dos momentos passados juntos vêm a tona e o passado é como um filme em nossa cabeça.

Na semana passada despedi-me da minha madrinha (Maria Ana Klein), que eu carinhosamente chamada quando pequena de ‘mainha’, uma junção de Maria + madrinha, que passou do plano físico para o espiritual. Doeu, dói, mas sei que ela está bem onde está agora.

Ela trabalhou durante muitos anos no Hospital São José de Chapada, e foi lá também que se despediu de nós. Ajudou muitos e fez a sua parte. Sempre alegre e de bem com a vida lutou muito contra a doença, sem deixar se abater.

Quando pequena me ensinou muitas coisas, uma delas, que lembrei com emoção na última despedida, no cemitério, foi que era ela quem me levava ao cemitério ‘visitar’ a vó Magdalena (mãe dela) que faleceu quando eu tinha apenas sete meses, e me ensinou um cantinho que eu sempre entoava ‘Mãezinha do céu’.

Ela ensinou-nos também a ter fé, força de vontade e lutar pela vida. Quantas vezes foi mal para o hospital e dizia que não era nada, que logo estaria em casa, ou iria visitar alguma amiga ou algum parente. Sempre confiante, lutou até o fim, quando na terça-feira (29/4) pela manhã, despediu-se da vida aqui na terra e foi se encontrar com sua mãe Magdalena, seu pai Arno, irmã Nair, sobrinha Camila Roman e demais parentes e amigos que já não estavam mais no mundo dos vivos.

Vá em paz e continue nos guiando e protegendo onde estiver. As homenagens, a despedida e todo o carinho recebido das pessoas com quem ela conviveu nos comoveram no dia de sua despedida. Obrigada a todos que estiveram com ela nesses seis anos de luta contra o câncer, e àqueles que de uma forma ou outra estiveram ao lado dela e da família em todos os momentos.

 

TEXTO PUBLICADO NO JORNAL ABCNOTÍCIAS DE 09 DE MAIO DE 2014