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Por Jefferson de Ramos: Seleção convocada, guerras cessadas

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Vamos superar as mágoas e feridas sociais adquiridas ao longo desses últimos tempos. A partir de agora não pense mais em sangue, ônibus incendiados, ausência de atendimento médico adequado, impostos altos, inflação e corrupção.

É a vez de cada brasileiro se apegar a única esperança que pode nos restar. Nossos 23 jovens guerreiros que irão trazer alegria ao nosso povo tão carente de ídolos. Isso não é sarcasmo, é algo notório. O Brasil é mais que um país sede. Nossa pátria tem sede de futebol. Você já notou como uma bola de futebol muda o semblante de uma criança?

Jogue uma bola ao centro de um grupo de meninos, e eles farão as pedras de uma íngreme ladeira se tornar o mais verde e resplandecente gramado, alimentando assim todos os seus sonhos e suas esperanças.

Esse é só um exemplo, porque no país do futebol em cada jogada finalizada, mil sonhos passam pela cabeça de quem antes era triste, e agora vibra cheio de alegria ao comemorar um gol de infinitas possibilidades de mudança.

Todos nós sabemos as reais condições de nosso país. Todos sentimos no bolso e na vida, a carga de uma bandeira verde-amarela que às vezes cansa tanto nossos ombros. Mas até na guerra a esperança nunca pode morrer. Porque a Copa não pode servir de base para nossas crianças lutarem por um futuro melhor?

Saber extrair aprendizado em diferentes situações é uma arte a ser aprendida por todos. Torcer, gritar, pular e cantar podem ser bons aliados para continuar a luta por um País mais justo e digno. E que tal se, entre um gol e outro, sobre espaço para discutirmos abertamente o futuro do País.

Quem sabe Felipão queira discutir sobre saúde. Ou a dona Maria que vive no seu bairro humilde queira aprender um pouco mais de futebol, e deixe de lado por alguns instantes a dura realidade que carrega em sua face castigada pela luta diária para alimentar seus filhos. Uma linda e possível troca de experiências e principalmente esperanças.

O futebol não mata. A Copa não é corrupta. As formas obscuras de fazê-los é que podem manchar as suas realizações. O menino que espera ansiosamente pela abertura do Mundial, e deposita no esporte a esperança de ajudar a sua família é que merece o foco principal.

Se no início citei a palavra esperança, é que este é o momento de plantar mais uma das sementes para o futuro. O esporte é um dos melhores aliados para a regeneração de um jovem que esteja a margem da sociedade. Ele sempre será uma boa bandeira para formação de líderes que possam nos representar no futuro.

Temos 23 convocados, e milhões que podem se espelhar em seus atos e ajudar a transformar o Brasil. Teremos dois meses diferentes pela frente. Ao longo desse período podemos até enfrentar algumas adversidades nas ruas, fato legítimo em um País que prima pelo direito de expressão. Nada melhor que escolher armas não letais para nossa luta. O diálogo, por exemplo, é muito valioso em certos momentos.

Vamos torcer e lutar por um País de igualdade! Somos conhecidos pela alegria, então é possível utilizar dela para mudar o que achamos necessário e assim ter um Brasil verdadeiramente de todos. Vamos viver a Copa e cultivar a esperança!

 

TEXTO PUBLICADO NO JORNAL ABCNOTÍCIAS DE 09 DE MAIO DE 2014