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Diferença, por Eloy Milton Scheibe

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Outro dia estava zapeando, sem encontrar um programa que me agradasse na Sky, acabei parando no Multishow, canal que raras vezes assisto, mas naquele momento transmitia um show de Andrea Bocelli, do Central Park de New York e patrocinado pela Prefeitura de New York. Não é necessário dizer que fiquei encantado. Andrea Bocelli é tudo de bom, ainda mais acompanhado pela Orquestra Sinfônica de New York. Me impressionei com a qualidade de tudo o que vi e ouvi. Fiquei encantado com a profundidade das letras das músicas, além de estar acompanhado por um coral fabuloso.

Logo comparei a melodia, musicalidade e principalmente as letras com a de grupos e bandas brasileiras. Dá vontade de enfiar a cabeça no cano de uma bota para não ouvir certas coisas. Sinceramente dá nojo. Aquelas letras, cujos artistas pretendem transmitir sensualidade ficam rebolando e se contorcendo diante do público e das câmeras para disfarçar a falta da qualidade do que apresentam. Sinceramente, tem letras de certas músicas que beiram a pornografia, quando não são pornográficas e muitas delas ainda com péssima musicalidade.

Claro que temos grandes artistas nacionais no Brasil. Não podemos jogar todos no mesmo cesto, seria tremendamente injusto, pois temos belíssimas músicas, nascidas de um trabalho sério, competente e culto.

Nunca estive no exterior para saber se lá também tem tanto lixo jogado no mercado, mas sempre acho que envergonha o Brasil boa parte do que é produzido aqui. A letra das músicas é um reflexo cultural do Brasil. É como se olhar no espelho.

 

TEXTO PUBLICADO NO JORNAL ABCNOTÍCIAS DE 16 DE MAIO DE 2014