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A força do funk na web

montfunk

 

Com o advento das plataformas digitais, a música popular passou a contar com várias realidades paralelas. Se um determinado gênero ou artista domina as mídias físicas, no ambiente virtual ele pode não atingir tanto êxito assim. A disponibilidade de canais de divulgação existentes na atualidade facilita a comunicação com o público final e ajuda a fomentar as carreiras de artistas iniciantes, independentes e fora do eixo mainstream. Apesar dessa infinidade de meios para veicular um novo trabalho, o YouTube, em escala global, ainda é o mais importante. Principalmente entre os jovens consumidores de cultura. Nos canais deste site foram descobertos vários fenômenos musicais atuais, como Justin Bieber, Gotye, Soulja Boy e dezenas de MCs de funk, que hoje criaram um forte nicho na música nacional por conta do sucesso na web.

Desde 2012, quando o YouTube passou a divulgar a lista de vídeos musicais mais vistos no Brasil, observa-se que pelo menos 40% dos clipes são de artistas de funk. Em 2013, foram 50%. O top 10 foi encabeçado por “Show das Poderosas”, de Anitta (o clipe oficial superou 77 milhões de views), seguido por “Passinho do Volante” (MC Federado e Os Leleks), “Na Pista Eu Arraso” (MC Guimê), “O Bonde Passou” (MC Gui), “Gentleman” (Psy), “Te Esperando” (Luan Santana), “Logo Eu” (Jorge & Mateus), “Heart Attack” (Demi Lovato), “Mais Amor, Menos Recalque” (MC Daleste) e “Diz Pra Mim” (Gusttavo Lima).

Ou seja: metade dos dez vídeos mais vistos na web em 2013 foram de funk. O sertanejo, segundo gênero que mais emplacou artistas no Youtube, garantiu apenas três posições. Importante ressaltar que o funk é um gênero que funciona no melhor estilo “faça você mesmo”, enquanto o sertanejo é, há décadas, um segmento profissional e bem estruturado.

Por isso o feito do funk é mais marcante. Enquanto o sertanejo conta com investimentos e espaço nas mídias tradicionais, o funk precisa explorar de forma viral a internet. É a arma que o gênero tem para atingir os fãs. A maioria dos artistas não pode contar com TV, jornais, revistas e rádios. É a internet ou nada. E, hoje, o YouTube supre em pé de igualdade funções de outras mídias (ainda que com menor alcance). É rádio, TV, selo e espaço de divulgação para músicas novas. Tudo ao mesmo tempo.

CONECTIVIDADE

A superioridade da plataforma na divulgação de músicas se dá pela conectividade que há com as principais redes sociais e a possibilidade de compartilhamento em todas elas. Quando se ouve uma música numa rádio ou em disco, é impossível dividi-la com toda sua rede de contatos, postando o link. Já no YouTube, isso é instantâneo. E esse é um dos segredos de viralização do funk, que chega nas timelines até de quem não curte o estilo. Se o clipe é combinado com uma boa música, a fórmula para estourar é ainda mais certeira.

E ainda por cima o YouTube é um veículo conveniente ao artista, pois a hospedagem de um canal é gratuita e existem inúmeras maneiras de monetização das músicas. Não à toa, os funkeiros investem somas cada vez maiores na produção dos clipes. Virou uma competição para saber quem consegue ostentar mais na hora de gravar um novo vídeo de divulgação. E também quem é mais visualizado na web.

O principal diretor de clipes de funk ostentação, Kondzilla (Mc Guimê, Mc Rodolfinho e outros), cobra cerca de R$ 50 mil para gravar um vídeo. No valor, estão incluídos a contratação de modelos e aluguel de carros importados, dois itens indispensáveis para que o filme fique “da hora”. Porém, Valesca Popozuda alega que gastou dez vezes mais para gravar “Beijinho no Ombro”, um dos hits do verão de 2014 ao lado de “Lepo Lepo”, do Psirico. O clipe oficial de Valesca alcançou mais de 23 milhões de visualizações em menos de três meses.

O conceito dos clipes de funk também foi transferido para outros gêneros, inclusive o sertanejo, que utiliza bastante o estilo ‘gangsta’ nas produções mais recentes. O funk fez e faz escola na revitalização dos videoclipes. Esse meio de divulgação musical chegou bem próximo da extinção quando a MTV deixou de ser um canal musical, em meados da década passada.

Mas, felizmente, o YouTube e outras plataformas (como a Vevo) deram uma sobrevida para essa arma importante de promoção de música. E até mesmo democratizou o sucesso de estilos que jamais teriam espaço na programação de um canal aberto – caso do funk ostentação. A união de clipes bem feitos com estilos marginalizados mostra-se extremamente positiva. Ninguém sai perdendo. O mercado se amplia, as produtoras de vídeo continuam com demanda, os artistas independentes divulgam seus trabalhos gastando pouco e o hábito de gravação de clipes perdura. Se a TV matou algumas estrelas do rádio, a internet não fará o mesmo com as estrelas dos clipes. Irá apenas reforçar a importância da imagem aliada à música, principalmente com o crescimento da interatividade digital e acesso cada vez mais facilitado a dispositivos móveis como tablets e smartphones.

“COM PLANEJAMENTO, FICA MAIS FÁCIL FAZER SUCESSO NA WEB”

Veja a seguir depoimento de Patrick Krauss, diretor da dMusic, agência especializada na divulgação digital de artistas, sobre o tema abordado na análise de Helder Maldonado.

“Até bem pouco tempo, os videoclipes eram publicados no YouTube e o responsável pela publicação não criava expectativa com relação à sua audiência. Repercussão na mídia e apoio de fãs-clubes eram essenciais para os vídeos ganharem cliques. Mas hoje tudo é diferente. É preciso um planejamento criterioso focando todas as redes sociais quando se pretende promover o lançamento de uma nova música. Situações virais acontecem, mas em sua grande maioria diversas ações alavancadoras precisam ser preparadas para que isso ocorra. Começam na concepção do clipe e acabam no entrelaçamento das redes sociais, numa grande força-tarefa. O planejamento inclui desde a melhor hora para a publicação do clipe, que redes sociais devem ser priorizadas para a promoção junto ao público, que tipo de publicidade fazer para aumentar a audiência etc. Enfim, tudo deve ser preparado e planejado. O sucesso de muitos artistas na internet está relacionado à visão profissional de seus managers/gravadoras em desenvolver um planejamento para o lançamento com a mesma qualidade e critérios com que trabalham na produção da música e na sua promoção em outras mídias. Hoje em dia, com raríssimas exceções, cases de sucesso na internet só acontecem com um plano bem estruturado”.

 

FONTE: PORTAL SUCESSO