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Improviso, Eloy Milton Scheibe

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Nesta época do ano, o assunto de maior relevância no Brasil é sem dúvida a realização da Copa do Mundo de futebol. Tem coisas que precisamos admitir e uma delas é a capacidade da Fifa em organizar esta competição. Seus dirigentes, pelo que percebo, cedem pouco e atendem rigorosamente as pretensões desta entidade que dirige o futebol no mundo. Aliás, vejo aí, que nós brasileiros temos muito a aprender com esta entidade que atua no futebol mundial e tem como principal competição o campeonato mundial de seleções.

A Fédéreition Internationale Football Association, tem conseguido alcançar alto grau de organização e por consequência, tem feito muitas exigências contratuais que os brasileiros assinaram já faz algum tempo e parece, não tê-las lido. Sim, pois às vésperas da realização da maior competição mundial de futebol e do esporte como um todo, aliás, reivindicado pelo governo brasileiro e por pessoas influentes do meio futebolístico, percebemos que o dinheiro disponível não chegou para fazer as obras necessárias, ou não chegou nas obras e que por isso percebem-se improvisações. Passei pelo aeroporto de Brasília nesta semana, aliás, o mais importante do país, e lá se percebem improvisações. São corredores de tapume, ônibus que transportam passageiros do saguão até o embarque e vice-versa, aviões esperando na pista para decolar e assim por diante. Na verdade são improvisações para receber o público da Copa, seja brasileiro ou não.

Nesta situação certamente estão também outros aeroportos do país, inclusive o Aeroporto Salgado Filho de Porto Alegre que não tem equipamento para pousos e decolagens com neblina, sem falar nas arenas em que a competições serão realizadas. O próprio estádio Beira Rio é um mau exemplo neste sentido, além de outros que servirão de sede para as seleções mundiais que chegarão ao Brasil nos próximos dias. Não posso afirmar que o Aeroporto Juscelino Kubistchek não funcione. Sim, até que funciona, mas da forma como está, a probabilidade de acontecerem erros é muito maior e aí, o fiasco será internacional e não prejudicará apenas o futebol.

O Brasil tem mania de improviso, leva às coisas na flauta e isso faz com que aconteçam as improvisações, que os brasileiros fazem muito bem. Oxalá fossemos bons assim em organização, pois num país como o Brasil, em que ainda falta tanta infraestrutura para o seu povo, como o do Amapá, por exemplo, onde estou visitando as filhas, realizar a Copa do Mundo é um despropósito.

 

TEXTO PUBLICADO NO JORNAL ABCNOTÍCIAS DE 30 DE MAIO DE 2014