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Mudanças e a nossa vida virtual, por Jefferson de Ramos

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Como dizem, tudo muda! E ultimamente as coisas mudam rápido e com o auxílio da internet. Diante de tantas mudanças, algumas chamam a atenção, entre elas a maneira de entendimento e até mesmo da importância ou não de ter privacidade. Os relacionamentos amorosos e até a visão do que é ter segurança, que hoje tem novos significados.

A explosão do uso das redes sociais, quase extinguiu um dos grandes temores de qualquer pessoa com o mínimo de senso e recato. A fofoca, antes passada de boca em boca, e até mesmo através de janelas perdeu espaço para os post’s, self’s e #partiu publicados na rede. E muitas vezes, a exposição é feita pela própria pessoa, que parece ter necessidade de mostrar seus detalhes mais íntimos.

É isso mesmo! Hoje somos nós que informamos ao vizinho sobre nossa vida, poupando-o de precisar levantar de seu sofá. Mostramos nossas aquisições, o carro novo, o relógio chique ou o celular de última geração. Falamos sobre nosso trabalho, exibimos nossa forma física e até o informamos de como anda nossa saúde. E a segurança então! Até bem pouco tempo atrás, presávamos muito por ela. Fazíamos coisas até engraçadas para alcançá-la. Como a clássica estratégia ao sair de férias. Que era deixar a luz acesa em um dos cômodos para que os maus intencionados pensassem ter alguém em casa. E é claro, avisar somente ao vizinho e pedíamos para que ele prestasse atenção se ouvisse algum barulho.

Hoje, quem faz barulho somos nós. Ao sairmos de férias é comum publicarmos todo o nosso itinerário com detalhes da viagem em nosso perfil. Avisando quando sairemos e quando voltamos. Entre check’in’s e postagens, deixamos o caminho livre até mesmo para a bandidagem, antes temida e que agora pode usufruir de todas as informações de nossa ausência. Informações essas passadas por nós mesmos. Um fato comum, mas que não nos damos conta do grande perigo da demasiada exposição de nossas vidas através da internet.

Na questão relacionamentos então, as mudanças são tantas que é impossível citar as inúmeras variações e possibilidades do “amor virtual”. De certa forma, unir o útil da queda das barreiras de espaço e tempo, com o agradável da possibilidade de mostrar nossa vida instantaneamente para o mundo, pode ser saudável, proveitosa e bem vista se for dosada. Mas também pode ser quase mortal se em excesso.

Mudanças são normais em tudo, o que não pode mudar é a priorização do real, que deve estar sempre acima do virtual. Aquele que vive em excesso e em detalhes o virtual. Muitas vezes quer suprir ausências, ou maquiar o que tem de ruim e não suporta em sua vida real.

Um conhecido provérbio diz que “Aquele que vigia os lábios, preserva o coração da angústia”. Em breve atualização para os dias de hoje, podemos dizer que aquele que vigia sua fome de exposição, preserva seu coração da angústia, seu nome e imagem do perigo e até mesmo da exposição ao ridículo.

 

TEXTO PUBLICADO NO JORNAL ABCNOTÍCIAS DE 06 DE JUNHO DE 2014