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Dizem que homem não chora, por Jeffe de Ramos

 

Jeffe e Eloy copia

Publicado no ABCNotícias em 4.7.2014

Nos últimos dias, estamos experimentando novos sentimentos. O Brasil vive numa euforia verde/amarela. O povo irradia alegria e esperança. Um clima que nos faz parecer estarmos vivendo uma releitura da década de 60, chamada de Anos Dourados, e que exerceu forte apelo patriota e emotivo em todos. Um fato que há muito tempo não era visto e sentido em um País retrancado por inúmeros problemas.

A partida decisiva da “seleção canarinho” contra o Chile incrementou ainda mais esse caldeirão de emoções. Vimos Neymar aos prantos cantando o Hino Nacional, e no término da partida caído no gramado visivelmente abalado.

Também vimos Júlio César às lágrimas antes da disputa de pênal-tis, Thiago Silva desabando e David Luiz chorando ao fazer seu primeiro gol com a camisa da Seleção Brasileira.

Esta semana os chorões, que, aliás são justamente os melhores jogadores da Seleção, viraram conversa nas rodas de amigos, e assunto sério para profissionais da psicologia. Uns se preocupam com o desequilíbrio que poderia atrapalhar o desempenho da equipe. Outros acham normal e compreensível por estarem diante da pressão que é representar o país do futebol. Na dúvida, o técnico Luís Felipe Scolari chamou às pressas a psicóloga responsável pela seleção, para “cuidar do emocional” da equipe.

Na ausência da psicologia acadêmica, milhares de homens que acompanharam a partida, e que da mesma forma extravasaram a alegria e a tensão através de lágrimas, precisam agora cuidar também de seu emocional. E para aqueles que se preocupam também com a postura masculina, é hora de achar um porque do ocorrido.

E numa hora dessas, nada mais compreensível do que recorrer à caderneta de exceções masculinas para acrescentar mais um item, que vai ao encontro do velho ditado popular que “homem não chora”. Inclua na lista, que é extremamente compreensível cair aos prantos diante de uma partida de tirar o fôlego e que parece ter durado uma eternidade. É, e sempre será compreensível “cair aos prantos” por uma seleção que faz renascer os anos de glória, não só do futebol...

Na granja Comary, uma psicóloga cuida de 11 homens. Aqui fora tantos outros continuam a torcer pela Seleção. Agora, pautados e assegurados ao mais novo item de exceção para um ditado que já caiu por terra há muito tempo. E todos nós sabemos disso.