logo fm91 logo 1500am whats-radio9

Humor inapropriado, por Jefferson de Ramos

Jeffe e Eloy

 

O humor é uma forte ferramenta de criação em campanhas publicitárias. Quem não se lembra das clássicas propagandas de margarina com famílias felizes e engraçadas, dos anúncios de refrigerantes com jovens, ou quem sabe da graça dos anúncios de shampoo com crianças.

Mas o que dizer do uso do humor em uma campanha mais séria? Por exemplo, a de doação de órgãos. Esta semana o assunto extremamente sério e relevante, passou a ser abordado com um toque humorístico. A campanha para doação de rins dos pacientes renais crônicos, está sendo veiculada usando o humor para falar de um assunto que nem sempre rende sorrisos. E isso não é nenhuma novidade. Mas, será que é necessário?

No Brasil, a Campanha de Vacinação Infantil é representada por bonecos com vozes infantis. Aí podemos pensar: é para crianças. Mas não. Esta é uma campanha direcionada para os pais exercerem sua responsabilidade e entenderem a importância de vacinar seu próprio filho.

A campanha contra a prostituição infantil é estrelada por macacos de pelúcia fazendo caretas. O assunto que causa náuseas em uma pessoa de bem, é exposta com um toque lúdico.

Podemos lembrar também de outra campanha séria e importante, como a de combate ao tabagismo que aborda o assunto em forma de desenho animado.

Alguém pode dizer que tudo isso é arte publicitária para chamar atenção. Ou quem sabe, o lúdico serve como instrumento para abordar mais facilmente um determinado assunto polêmico. Mas na verdade, a tendência aplicada nessas campanhas segue dados de pesquisas que dizem que utilizar o humor é a forma mais rápida e eficaz para atingir a grande massa adulta. Trocando em miúdos, precisaríamos ser tratados como criança para entender certos assuntos.

Será que não somos mais capazes de falar sério? Por sermos adultos, já deveríamos ter ideia madura e suficientemente ponderada para entender o gesto de grandeza que é ser doador. E será mesmo possível falar de prostituição infantil através de macacos de pelúcia, ou utilizar um desenho com barquinhos para mostrar que cigarro pode matar?

O uso do humor sempre será bem-vindo. Mas a seriedade e a necessidade de simplesmente abordar um assunto sério sem precisar criar estratégias infantilizadas, também é preciso. Este é nosso papel de adultos. E não podemos fugir de nossas responsabilidades. Se não somos capazes de falar sério e de ser abordados de maneira normal, já não sei mais de que adulto a pesquisa está falando.

Publicado no Jornal ABCNotícias na edição do dia 1º/8/2014.