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Anjinhos e diabinhos, por Eloy Milton Scheibe

Jeffe e Eloy copia

Pois é, está a maior polêmica o parecer sobre o projeto que pode proibir a suspensão e a expulsão de alunos no Rio Grande do Sul, tanto que foi retirado de pauta do Conselho Estadual de Educação na manhã da última quarta-feira, a pedido da relatoria. Esta norma em discussão, interfere na autonomia das instituições de ensino público e privado. A retirada provisória da pauta do conselho deste projeto se deve ao fato de ampliar as discussões, para ouvir entidades favoráveis e contrárias ao assunto.

Sei que não posso comparar a minha época de estudante com os tempos atuais, mas ainda sou do tempo em que aluno respeitava o professor. Presenciei dois casos de desligamentos sumários de escola. Em Palmeira das Missões na Escola Agrícola Celeste Gobatto, quando em 1973 um colega foi desligado porque não queria capinar. Estávamos numa aula prática como era chamada, e limpávamos um mandiocal. E o outro caso aconteceu em Teutônia em 1976, quando um interno do Colégio Agrícola de Teutônia, defecou numa caixa de lixo do corredor do internato e foi descoberto. Casos de indisciplina da época.

Hoje vejo que é bem diferente, vemos casos de alunos que agridem fisicamente colegas e inclusive professores, que perturbam a ordem, usam palavras de baixo calão, bullying, além de todo tipo de travessuras que nem sempre praticam em casa. Muitos alunos  em casa chegam a ser considerados anjinhos e na escola se transformam em ‘diabinhos’. Outros casos já refletem inclusive o desacerto familiar na educação dos próprios filhos que invariavelmente se manifesta na escola. É comum ouvir pais afirmarem nas férias que não aguentam mais os filhos em casa, diante disso pergunto: é papel do professor aguentá-los durante o período escolar?

Não vejo outra maneira senão os pais acompanharem bem de perto o que seus filhos fazem na escola, pois nem sempre tem o mesmo comportamento em casa e no âmbito escolar, onde muitas vezes se transformam. É lógico que não se pode concordar que um professor persiga um aluno, porém, percebo que, via de regra, os causadores de problemas são alunos e não os professores, e inclusive com casos de conivência dos próprios pais. Nestes casos, tirar da escola a prerrogativa de decidir sobre o seu aluno, quando é a instituição que melhor o conhece e já tendo tomado todas as medidas para contornar problemas com indisciplinados e não lograr êxito, considero um despropósito e um desserviço para a educação, ser obrigada a manter um mau aluno no seu corpo discente. Como um aluno destes poderá ser corrigido? É fácil dizer o que os outros devem fazer e bem difícil de cuidar dos “anjinhos” dos outros.

Publicado no ABCNotícias em 8/8/2014