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Menos gelo, mais ação, por Jefferson de Ramos

Jeffe e Eloy

 

Esta semana surgiu um “viral” na internet com o nome de “Ice Bucket Challenge”, ou o “Desafio do Gelo”, que a cada dia vem ganhando a adesão de celebridades ao redor do mundo. Inúmeros artistas compartilharam nas redes sociais os seus banhos gelados.

A lógica é simples e se assemelha às já conhecidas “correntes” das redes sociais: uma pessoa toma um banho de um balde de água com gelo e, logo depois, desafia outras três pessoas a fazerem o mesmo.

A brincadeira faz parte de uma campanha para chamar a atenção sobre a esclerose lateral amiotrófica (ELA), e arrecadar dinheiro em prol das pesquisas para a doença.

Aquele que for desafiado tem até 24 horas para postar seu “banho” ou deve doar uma quantia em dinheiro para a campanha. Entretanto, os diretores de marketing e criadores do movimento dizem que a repercussão foi grande, mas funcionou pouco. Pois dinheiro que é bom, quase nada.

Pelo que parece, quem tomou um grande banho de água fria foram os portadores da doença, que estão esperando recursos deste grande “auê”. Mas o fato é que parece que a grande maioria das pessoas acabou gelando o sentimento de solidariedade juntamente com o corpo. Pois sequer souberam o que é a tal de “ELA”.

A esclerose é uma doença degenerativa e que não tem cura. A degeneração dos neurônios motores no cérebro e na medula espinhal limitam os movimentos de pés, mãos e músculos usados para deglutir, falar e respirar. Em estágios avançados, pode até paralisar os olhos.

Além disso, não há atualmente, um tratamento capaz de retardar ou barrar completamente o avanço da doença. O que existem são medicamentos usados para controlar os sintomas da condição, oferecendo maior independência aos pacientes e prolongando a sobrevida.

Para os artistas e para os anônimos, a dica é muito simples: “menos gelo, mais ação”! E isso vale até para quem não tomou o “banho virtual”. Qual foi a última vez que desenvolvemos nosso espírito de solidariedade?

Ir na onda do momento é fácil. Quero ver agir sem se vangloriar de suas boas ações.

Isso me faz lembrar uma antiga comparação que diz:

- Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz.

Assim somos nós. Quanto mais vazios de espírito de solidariedade, mais barulho fazemos.

Publicado no ABCNotícias, dia 22/8/2014