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INTERCÂMBIO: Jéssica Letícia Klein participou do Programa Ciência Sem Fronteiras

         Coimbra Universidade de Coimbra

Já há algum tempo muitos estudantes brasileiros e de outros países vêm participando de intercâmbios. Para isso, os governos desenvolveram programas para esses devidos fins. Nesse sentido, o ABCNotícias foi informado de uma chapadense que voltou de um intercâmbio realizado na cidade de Coimbra, em Portugal.

Essa jovem é Jéssica Letícia Klein, estudante de Engenharia Química, da Universidade Luterana do Brasil – ULBRA. No momento, Jéssica mora em Canoas.

Segundo Jéssica, ela pôde participar do intercâmbio pois soube através da coordenação do seu curso sobre o programa Ciências sem Fronteiras. “Sempre sonhei com um intercâmbio em Portugal e então resolvi me inscrever. Foi um choque quando recebi a notícia de que havia ganhado a bolsa, pois ao mesmo tempo em que eu estava muito feliz por estar prestes a realizar um sonho, e muito entusiasmada, tive muito medo e insegurança, já que não conhecia nada e ninguém por lá e não sabia exatamente o que esperar”, disse ela. Jéssica também respondeu a algumas perguntas:

Por quê a cidade de Coimbra, em Portugal?

         Quando passei pela primeira etapa do programa, tive uma lista de cidades e universidades entre as quais poderia escolher algumas opções. Coimbra foi minha primeira opção. Primeiro porque a Universidade de Coimbra é a mais antiga de Portugal e uma das mais antigas do mundo, foi fundada em 1290. Além disso a Universidade é muito bem conceituada, estando entre as melhores da Europa. Ainda, Coimbra é uma cidade de estudantes, é cheia de tradições e alunos de todas as partes do mundo, uma cidade linda e muito acolhedora.

Quando esteve lá, onde se hospedou? Quanto às despesas, você teve de arcar, ou fez parte do programa pelo qual você participou?

O programa cobre praticamente todas as despesas, mas algumas despesas foram por minha conta. Morei em um quarto alugado num apartamento com outros estudantes.

Quais as dificuldades encontradas logo ao chegar naquele País?

Portugal é um país muito acolhedor, e não encontrei grandes dificuldades de adaptação. A língua é a mesma, mas há muitas diferenças, palavras diferentes e o sotaque complica um pouco o entendimento no começo, mas logo o ouvido acostuma. Os portugueses são muito hospitaleiros, tive muitos amigos portugueses, conheci famílias e pude conhecer um pouco mais o dia a dia deles, culinária, hábitos e modo de viver. Ainda, Coimbra teve neste ano mais de 500 estudantes brasileiros, então foi fácil se sentir em casa. Acho que a maior dificuldade que tive foi a saudade da família e dos amigos do Brasil e o nível de exigência da universidade, que era muito alto.

O que você pode falar sobre essa experiência?

Foi maravilhoso, posso dizer que foi o melhor ano da minha vida. Abriu-me os olhos da realidade que existe em outros lugares do mundo, tive a oportunidade de conhecer outros países, de conhecer pessoas de todos os cantos do mundo e também do Brasil, me fez crescer como pessoa e acrescentou muito em minha experiência acadêmica.

Em relação à cultura daquele País, explique um pouco.

Coimbra é uma cidade magnífica, a Universidade é cheia de tradições trazidas de séculos atrás. É uma cidade com um encanto diferente do resto de Portugal. Basicamente é uma cidade que gira em torno da Universidade e seus estudantes, as tradições são muitas, mas vou descrever as principais:

Os alunos que estão no seu primeiro ano são chamados de caloiros, e passam por um processo chamado “praxe”, em que durante todo esse ano sofrem brincadeiras e trotes não violentos. Se não passarem pela praxe, não poderão usar o traje acadêmico e serem chamados de doutores. Assim, em maio, ao fim do seu primeiro ano letivo, durante a Serenata (cerimônia muito bonita e emocionante, onde são cantadas músicas típicas portuguesas, chamadas de fados, muito tristes e sempre com uma conotação de saudades e lembranças dos tempos de faculdade) são trajados e passam a ser chamados de doutores, podendo no ano seguinte também aplicar a praxe nos novos caloiros. Os alunos quando entram na universidade ganham um padrinho ou uma madrinha, que é de um ano a frente e vai ajuda-lo durante todo o curso.

Todo os anos há 10 dias de festa na cidade, chamada de Queima das fitas. Quando se está no terceiro ano de curso, há a queima das fitas (que dá nome a festa), uma cerimônia onde o terceiranista queima as pontas de uma fita da cor do seu curso, a fita é queimada em um caldeirão em frente a igreja. Essa cerimonia acontece pela manhã, logo após, pelas parte da tarde há o cortejo, o que aqui chamamos de desfile de carros alegóricos. Todos os carros são confeccionados com flores de papel crepon, e cada curso tem o seu carro, muitos deles tem temas políticos ou de criticas. Os terceiranistas é que vão no carro, os caloiros vao atrás andando e levando banhos de cerveja e água, e os finalistas (doutores que estão em seu ultimo ano) vão a frente. No cortejo também, os finalistas usam bengalas, cartolas e um laço no seu traje das cores do curso, indicando que estão concluindo seu curso, e como um gesto de boa sorte, as pessoas batem com a bengala 3 vezes na cartola e dão três beijinhos no finalista. Ainda durante esses dias de festa, os finalistas tem o baile de gala e o chá dançante.

O traje acadêmico é para as mulheres, composto de meias pretas, sapatos pretos de saltos baixos, saias até o joelho, também pretas. Camisa branca, um blazer preto e gravata. Para os homens, são calças e sapatos pretos, camisa branca, blazer e gravata preta. Para ambos os trajes, se é usada uma capa preta sobre os ombros que se estende até o chão. Tive a oportunidade de provar um traje emprestado de uma amiga, foi uma honra e uma emoção difícil de descrever em palavras.

Qual a maior lição que você trouxe desse intercâmbio?

Que vale a pena sonhar e correr atrás de seus sonhos. Quando sai do Brasil não fazia ideia do que me esperava, e me surpreendi muito com Portugal, cidades lindas, lugares espetaculares, cheios de história. Não esperava ter a oportunidade de viajar pra todos os países e cidades que tive a oportunidade de conhecer. Posso dizer que foi a experiência mais incrível que já tive, e que se algum dia tiver a oportunidade novamente, vou mais uma vez. Fiquei encantada com tudo que vi e vivi.

 

 

Na próxima terça-feira, 30/7, o jovem Dione Richer Momolli, de 20 anos irá para um intercâmbio na cidade de Frankfurt na Alemanha. Ele também participará através do Programa Ciência sem Fronteiras. Segundo Dione, a principal dificuldade no início será a questão da língua, sendo que ele é de origem italiana.

Assim que chegar a Frankfurt, Dione fará um curso de 6 meses de Alemão, e após fará um teste de suficiência na língua, para que assim possa ingressar na universidade da cidade. Nos próximos meses você acompanha matéria completa com o jovem, falando sobre a experiência em Frankfurt - Alemanha.

 

FONTE: ABCNotícias