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Região tem caso comprovado de Raiva Herbívora

morcego

Há alguns dias surgiu um assunto em toda a região que tira o sono de muitos agricultores, que possuem animais herbívoros em suas propriedades. O tema em questão é a raiva herbívora.

A raiva é uma doença infecto-contagiosa do sistema nervoso que tem como agente etiológico o vírus Rabdovírus, que acomete predominantemente os mamíferos.

Esta infecção viral é fatal em praticamente 100% dos casos. Nos bovinos, esta enfermidade representa grandes prejuízos econômicos para o produtor, bem como um grande impacto na saúde pública. A fonte de infecção sempre é um animal infectado, sendo que o método de transmissão mais comum é a

mordida de um animal portador do vírus, embora a contaminação de feridas cutâne-as pela saliva recente possa levar à infecção. O principal agente transmissor desse vírus para os bovinos são os morcegos herbívoros.

Para falar sobre o assunto, estiveram na Rádio Simpatia os médicos veterinários da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul Augusto Scheren e Réver Milani, que são responsáveis por núcleos de controle de raiva herbívora. Augusto e Réver estão na região acompanhando um caso de raiva que foi identificado entre os municípios de Chapada, Palmeira das Missões e Novo Barreiro.

Segundo informações dos médicos, em uma propriedade dessa região havia um animal que estava doente e sendo tratado para intoxicação, mas veio a óbito, e logo após foram feitos exames no animal e foi constatada a raiva.

“A raiva pode ser confundida com intoxicação e também com a tristeza parasitária, mas é muito mais agressiva. O principal agente transmissor dessa doença é o morcego, aquele que vive apenas em lugares escuros e que se alimenta essencialmente de sangue, ou seja, é conhecido como morcego hematófago. A raiva vem subindo da divisa com o Uruguai e hoje já há um número alto de focos da doença. Não estávamos preparados para receber a doença em nosso Estado”, falou o veterinário Augusto.

Segundo informações, em Chapada já foram encontrados 11 refúgios com morcego, sendo que há 1km da propriedade onde houve a morte do animal foi encontrado um refúgio com 10 morcegos, mas foi possível identificar que naquele lugar viviam mais de 100 morcegos pela quantia de fezes que foram encontradas.

“É muito fácil identificar se os morcegos se alimentam de sangue, as fezes possuem uma cor avermelhada, e por isso, quando entramos em refúgios, mesmo que não há morcegos podemos saber de que tipo são. É importante falar que a raiva nos animais contaminados tem um período de incubação longo, cerca de 60 dias, e quando a doença se manifesta faz com que o animal mude de comportamento, causa agitação, e o principal sintoma é a paralisia das patas traseiras, sendo que, em cerca de 4 a 6 dias ele vem a óbito. E quando a doença se manifesta ela não tem mais cura, por isso, é importante que o criador sempre deixe seus animais vacinados e tome cuidado com os sinais que o animal apresentar”, falou Réver.

Os médicos veterinários explicaram que os produtores têm papel fundamental na contenção dessa doença, identificando os locais que os morcegos se escondem. Quando o produtor identificar deve entrar imediatamente em contato com a Inspetoria Veterinária de seu município para que os profissionais responsáveis possam ir ao local identificar de que morcego se trata.

“A doença é muito séria, de 2011 até agora mais de 30.000 animais vieram a óbito. Sendo que no ano passado foram identificados 88 focos no Rio Grande do Sul. É importante ressaltar que, quando algum animal apresentar os sintomas da doença o produtor deve evitar o contato com a saliva, pois é possível a contaminação, sendo que a raiva não tem curam e assim como o animal, a pessoa também pode vir a óbito”, explicaram os veterinários.

Finalizando, os médicos veterinários disseram que todos os refúgios que encontraram na região são os chamados de ‘secundários’, onde ficam os machos, e que o que interessa mesmo é encontrar os refúgios ‘principais’ onde são encontradas as fêmeas dos morcegos.

 

FONTE: ABCNotícias